#Grécia: uma de cada três crianças vive em situação de pobreza ou exclusão social

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Grécia - A infância é um dos sectores mais afectados pela grave crise social do país e uma de cada três crianças vive em situação de pobreza ou exclusão social, segundo um relatório divulgado nesta quarta-feira (22).


“A situação das crianças na Grécia”, realizado pela Universidade de Atenas em colaboração com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mostra que 30,4% dos menores – 597 mil – vivem abaixo do limiar de pobreza ou em condições de exclusão social, enquanto que outros 322 mil vivem com graves privações materiais.

Os dados, correspondentes a 2011, supõem um aumento dos dois indicadores com relação ao ano anterior de 9,1% e de 38,2% respectivamente.

“A realidade é muito preocupante”, assegurou o presidente da Unicef da Grécia, Lambros Kanellopulos, durante a apresentação, pois os índices aumentam e “isto tem efeitos negativos tanto no bem-estar das crianças como nas questões relacionadas com sua saúde, formação e desenvolvimento”.

Carências vinculadas à piora da situação económica, resultante das drásticas medidas de austeridade, fazem com que aumente o número de menores que vivem em lares onde ninguém trabalha ou com sérias dificuldades para fazer frente aos gastos familiares básicos.

Isso incide em dietas alimentares pobres, habitações sem calefação ou expostas a problemas ambientais, contaminação e restrições no acesso a serviços de saúde e hospitalares, devido à redução do orçamento exigida nas políticas de austeridade.

Outro dado alarmenta da investigação foi o aumento da delinquência juvenil em 53,4% entre 2010 e 2011.

Os responsáveis da Unicef mostraram sua preocupação pelo impacto da crise no gasto público e pediram às autoridades um aumento dos seguros sociais para os menores, pois as características do orçamento não permitem identificar os recursos assinalados para o cumprimento da Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança.

Via:http://www.diarioliberdade.org/mundo/laboral-economia/38630-600-mil-crian%C3%A7as-na-gr%C3%A9cia-sofrem-de-pobreza-ou-exclus%C3%A3o-social.html

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Impostos perdidos em Paraísos Fiscais “dariam para acabar duas vezes com a pobreza extrema no mundo”

dinheiro

Os designados paraísos fiscais escondem 14 biliões de euros, o que significa uma perda de receita fiscal para os governos em torno dos 120 mil milhões de euros. As contas são da Oxfam, uma organização não-governamental internacional, que trabalha em 90 países e que afirma que esse montante de impostos perdidos “daria para acabar duas vezes com a pobreza extrema no mundo”.

“O dinheiro perdido equivale a duas vezes o necessário para que cada pessoa no mundo assolado pela pobreza extrema viva acima do limiar de 1,25 dólares por dia”, salienta a mesma organização. “É escandaloso que tanto dinheiro passe ao lado dos impostos, deixando livres aqueles que mais podem pagar pelo bem público e pelo serviço público”, considera Kevin Roussell, membro da organização. “Muitos governos garantem que não têm alternativa ao corte na despesa pública e na ajuda ao desenvolvimento, mas nós encontrámos potencial suficiente na taxação do dinheiro privado que se encontra escondido e que chegaria para eliminar duas vezes a pobreza extrema”, reforça.

A organização divulgou estes dados nesta quarta-feira, numa altura em que os chefes de estado e governo da União Europeia (UE), que se vão reunir nesta quarta-feira em Bruxelas, procuram reforçar a luta contra a evasão e a fraude fiscal. Nas contas da Oxfam, a UE é responsável por dois terços desta riqueza depositada em paraísos fiscais, como Luxemburgo, Andorra e Malta.

“Os líderes da UE na sua reunião deveriam colocar-se de acordo para agir de imediato de forma a acabar com a evasão fiscal, mas antes precisam de colocar a sua própria casa em ordem”, defendeu a organização, no mesmo comunicado.

Via Público

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Quando a Dívida aumenta, a Democracia encolhe

Começaram no dia 27 de abril debates abertos sobre Democracia e Dívida[1] desenvolvidos no espaço público, para que as pessoas não fiquem confinadas ao que se diz nos media, em regra, superficial ou enganador. Todas as formas de mobilização popular contra o sufoco que se vive a título da dívida são necessárias porque a dívida serve também para uma brutal campanha contra os direitos da população e na qual se inclui uma verdadeira vontade de tornar residual a democracia. Nesse sentido, decidimos desenvolver, por escrito, o que vem sendo dito na praça pública.

Sumário

1  - A dívida e as abordagens institucionais

2        Quatro elementos de ordem sistémica

Os desequilíbrios geopolíticos

A financiarização e o predomínio do capital financeiro global

As agendas próprias dos capitalismos nacionais

As caricaturas de democracia política

3 – A formação da dívida em Portugal

Quando a Dívida aumenta, a Democracia encolhe (1)

 1-     A dívida e as abordagens institucionais

Em regra, nos meios políticos, mormente institucionais, a questão da dívida, considerada de modo circunscrito, na acepção de dívida pública, é apontada como uma questão de desequilíbrio de ordem financeira, com raízes no funcionamento dos “mercados”, com origens próximas nos desequilíbrios da estrutura económica. Complementarmente, refere-se a frase de que “vivemos acima das nossas possibilidades” o que nada mais representa que o conformismo pretendido para a continuidade da atuação do sistema financeiro e dos seus mandarins; a assunção de uma culpa, cuja expiação é inevitável, como ressalta das escrituras das religiões do “Livro”. Mas, essa culpa serve, perfeitamente para aceitação da imposição de cortes em rendimentos e direitos, sem uma contestação que se possa considerar digna.

Dentro dos sectores mais à esquerda do sistema político, a aplicação da lógica neoliberal constitui uma aberração, a ser substituida por um virtuoso retorno à ortodoxia keynesiana, com forte investimento público, no seio da harmonia celeste do modelo social europeu; um retorno aos gloriosos trinta anos que acompanharam a recuperação e reestruturação capitalista na Europa, a seguir à última grande guerra.

Essa defesa da boa ortodoxia keynesiana dominante na esquerda do sistema comporta duas visões distintas, naturalmente, em qualquer delas, sem a colocação em causa do sistema capitalista, nem do modelo do que convencionalmente se chama democracia representativa, do mercado eleitoral. Uma dessas pobres alternativas compreende um modelo mais ou menos isolacionista ou nacionalista apoiado num Estado intervencionista, com a saída de Portugal do euro ou mesmo da UE, apresentada de modo tímido ou implícito e, não como reivindicação política clara ou mobilizadora. A outra visão baseia-se também na intervenção do Estado mas, tendo como pano de fundo a crença numa reestruturação da UE no sentido da construção de um macro-estado dotado de meios financeiros para atuar condignamente com a dimensão da Europa que se pretende obter no âmbito do cenário global. Na nossa opinião, nenhum desses modelos tem em conta o bem-estar da população e dos trabalhadores em particular, apenas a continuidade da encenação contestatária, na AR ou nas várias procissões ritualmente efetuadas como justificação para os fundos públicos ou sindicais disponibilizados aos burocratas da chamada esquerda.

2-     Quatro elementos de ordem sistémica

Comecemos por sinteticamente, apontar alguns dos aspetos balizadores da realidade económica e política geral e, particularmente, em Portugal.

Os desequilíbrios geopolíticos

Há, na Europa, uma especialização económica que vocaciona os países do Sul e do Leste para o fornecimento dos países do Norte, dedicando-se estes à produção e exportação de bens de elevado valor acrescentado para o mercado global. Está em formação um quintal de pobreza que rodeia uma casa senhorial situada no Norte da Europa; uma zona de transição para o mundo islâmico e a Rússia, no que se pode configurar como uma revisitação de Huntington.

Acumulando-se os capitais e os superavits externos no Norte da Europa, sobretudo Alemanha e Holanda, são estes que ficam em condições de financiar os restantes, deficitários, impondo as suas condições para que se mantenha uma dívida eterna e uma subalternidade total [2].

Balança corrente (M euros)   Soma 2002-2012 (set)

Saldos positivos
Saldos negativos
Alemanha
1.336.079
Espanha
-611.758
Holanda
403.504
Itália
-266.534
Áustria
73.947
Grécia
-210.543
Finlândia
53.097
França
-169.495
Bélgica
38.901
Portugal
-156.035
   
Irlanda
-29.408
Total
1.905.528
Total
-1.443.773

Fonte: Eurostat

Nesse contexto, as estruturas produtivas nacionais e regionais vão-se distorcendo e reproduzindo as desigualdades e a pobreza. E as soluções apoiadas no fomento da exportação acentuam os desequilíbrios, estando condenados ao fracasso, pois essa política é adoptada mimeticamente, por todos e, todos concorrem junto dos mesmos potenciais compradores, também eles, próximos da recessão. Uma obsessão para servir os mercados externos só por acaso pode coincidir com a satisfação das necessidades das populações dos países exportadores.

A financiarização e o predomínio do capital financeiro global

O capitalismo é o primeiro sistema económico que não tem como fulcro as necessidades das pessoas mas, o “mercado”, tornando o trabalho uma abstração, uma mercadoria, um factor de produção. O predomínio do capital financeiro torna dependentes de si, através do crédito, empresas e pessoas e, tendo em conta a invenção de múltiplas formas e expedientes de promoção da reprodução de capital-dinheiro através da especulação, é para esta que é privilegiada a canalização dos capitais que faltam para o investimento no bem estar das populações.

A produção para o “mercado”, a satisfação dos insondáveis caprichos dos “mercados” constituem um alibi para gerar o frenesi da competitividade, da produtividade, do individualismo, do consumismo e da redução dos custos sociais. Resulta daí a disponibilidade de imensa quantidade de bens de consumo e serviços, em paralelo com milhões de pessoas com carências elementares por satisfazer.

Neste contexto é a própria sobrevivência de parte importante da Humanidade que fica ameaçada de genocídio uma vez que, sem poder de compra, nem utilização viável na produção capitalista, parte importante dos seres humanos é totalmente inútil para os mercados financeiros, é apenas um estorvo.

As agendas próprias dos capitalismos nacionais

O sistema financeiro global interage com os diversos países de acordo com a dimensão política e económica do conjunto dos capitalistas nacionais, com destaque para os respetivos sistemas financeiros. Essa relação matiza a posição em que cada país se encontra na hierarquia das nações, emanada das relações de poder que cada país incorpora e ainda a sua organização política e social, o poder financeiro, a valia do seu aparelho produtivo, as capacidades do seu povo em termos de conhecimento e auto-organização, a sua valia geopolítica…

Cada capitalismo nacional mediatiza através do seu Estado a criação de condições para a satisfação das suas necessidades de acumulação. No caso português, tratando-se de um capitalismo dependente e periférico, desde sempre apostado na minimização de custos salariais e sociais e na utilização da corrupção como fonte essencial de acumulação, chega-se neste momento a um ponto de verdadeiro protetorado internacional.

A dívida é um instrumento de exercício da punção financeira, tendencialmente eterna e, que exige como preço, o desmantelamento da produção de bens e serviços, o empobrecimento de quase todos e a inanição de grande parte da população.

As caricaturas de democracia política

Hoje, são mal suportadas as ditaduras militares ou pessoais e também os golpes de estado… excepto em todos os casos em que são tolerados. Instituiu-se uma arquitetura política chamada democracia representativa, que se baseia em eleições onde, por regra, o ganhador é uma estrutura mafiosa designada partido – financiada em parceria pelo Estado e pelo capital – que tratam de controlar os media para manipular os eleitores. Também, em geral, está montado um sistema de rotatividade entre uns poucos gangs que alternam no governo para que a encenação se mostre perfeita. A esmagadora maioria da população jamais poderá exercer funções políticas sem pertencer a um partido de governo, nem lhe é permitida qualquer outra forma de controlo da ação governativa, para além das manipuladas eleições.

O sistema político, é apresentado como segmentado entre poder e oposição, num maniqueismo infantil que é mediaticamente incutido na população. Porém, os agentes do sistema político, a chamada classe política, constitui entre si uma hierarquia, que na sua parcela com propensão governamental é, de facto, escolhida e controlada pelos meios da finança, enquanto à parte afastada do poder de estado compete desempenhar condignamente o enquadramento da conflitualidade social dentro das conveniências da reprodução do capital.

Neste contexto e através da classe política assim domesticada, o capital financeiro apropria-se do Estado, privatizando as essenciais funções de produção de leis, a punção fiscal e o aparelho repressivo (forças armadas, policiais e tribunais).

3 - A formaçao da dívida em Portugal

Como se disse atrás, é curto colocar apenas a questão da dívida pública como a causa das desgraças atuais ou a chave da via rápida para a redenção. Separar a dívida pública da privada é ocultar as caraterísticas atuais do capitalismo financeiro[3]; é ignorar o caráter instrumental da dívida pública para a acumulação capitalista e para a redistribuição dos rendimentos; é esconder que há um sistema de vasos comunicantes entre os vários sectores da economia; é branquear o papel do Estado como departamento integrado (e agente integrador) no seio do sistema financeiro.

Por outro lado, encarar a dívida como uma questão financeira, resolúvel como um valor a pagar e não como um processo de empobrecimento e escravização é enganador. Proceder desse modo é considerar que o modelo político atual é independente das dificuldades que sofremos e que é possível resolver o problema da dívida e obviar à deriva empobrecedora, no mesmo quadro institucional, com um Estado pertencente ao sistema financeiro e uma classe política delegada dos banqueiros.

Note-se que há um muro de silêncio quanto ao capitalismo, ao sistema político de “democracia representativa” e ao modelo de representação, silêncio esse que irmana todos os partidos do sistema, apostados na continuidade da situação. Revela-se, com a aceitação acrítica daqueles elementos estruturais das sociedades, o imenso conservadorismo das classes políticas, subscritoras da perpetuidade do domínio capitalista, da ausência de alternativas, da aceitação post-mortem da tese que celebrizou Fukuyama. Para a continuidade do seu bem estar, as classes políticas soletram intra-muros, baixinho, “que se lixe o povo”.

A distribuição dessa dívida total, pelos vários sectores institucionais que contraem crédito, essencialmente interno, junto do sistema financeiro, revela alterações marcantes quer na evolução, quer na estrutura.

Dívida bruta                                                                                  M euros
 
2007
2013
var. (%)
Estado
112.804,1
19,5
199.676,0
27,8
77,0
Empresas públicas
29.707,1
5,1
46.720,7
6,5
57,3
Empresas privadas
270.380,2
46,6
307.344,4
42,8
13,7
Particulares
166.766,0
28,8
164.921,2
22,9
-1,1
Total
579.657,4
100,0
718.662,3
100,0
24,0
PIB
169.319,2
165.409,2
-2,3

* março para o Estado, fevereiro para os restantes

Do quadro anterior, extraem-se as seguintes conclusões:

  • As famílias constituem o único agregado que tem um comportamento semelhante ao observado para o PIB, numa demonstração evidente da sua racionalidade, de que não vivem acima das suas posses, de que têm uma percepção da realidade bem mais acurada do que o Estado, seus mandarins e outros devotos do mercado. Por outro lado, o seu endividamento recente, reduziu o peso relativo para 22.9% do total;
  • O Estado, em conjunto com as empresas públicas passou a representar mais de um terço da dívida global (34.3%) contra quase um quarto (24.6%) em finais de 2007. Dentro das dificuldades globais, é o Estado que consegue financiamento no exterior tal como as empresas públicas, neste caso, devidamente ajudadas na subscrição de swats pelo prestimoso sistema financeiro. Até à intervenção da troika viveu-se um período de grande felicidade para o sistema bancário que obtinha crédito do BCE para comprar dívida pública, com uma enorme margem de lucro, apenas porque na ortodoxia do BCE – onde o devoto Gaspar trabalhou longos anos – aquele banco não pode financiar Estados diretamente, devido ao perigo de inflação (!!) – o único objetivo, expresso, da instituição – como resultado do… trauma alemão com a hiperinflação dos anos 20 do século passado. Alguém precisará de psicanálise…
  • As empresas privadas continuam a mostrar-se como o sector mais endividado, a que não é estranha a sua histórica descapitalização, a sua dependência – tão desejada – do sistema financeiro, a alegre e ruinosa parceria na expansão imobiliária dos últimos vinte anos. Como já se observou, esse acréscimo de crédito não foi, obviamente, aplicado no investimento[4].

Os vários sectores institucionais recorrem, em graus muito distintos, ao crédito externo e, internamente, tem significado o financiamento entre empresas. Porém, o crédito é obtido essencialmente junto do sistema bancário; e daí que seja interessante, uma observação aligeirada sobre as origens do financiamento obtido pelos bancos.

Dívida do sistema financeiro *                                                        M euros
 
2007
2012
var. (%)
Depósitos de empresas e pessoas
326.972,0
74,8
369.046,0
60,7
12,9
Títulos excepto ações
48.747,0
11,2
132.289,0
21,8
171,4
Empréstimos obtidos
61.311,0
14,0
106.442,0
17,5
73,6
 Soma
437.030,0
100,0
607.777,0
100,0
39,1
Do qual ao exterior
44.517,0
10,2
107.875,0
17,7
142,3
 PIB
169.319,2
165.409,2
-2,3

Fonte: Banco de Portugal

* engloba B de Portugal, outras instituições financeiras monetárias (bancos), outros   intermediários financeiros, seguradoras e fundos de pensões

Neste contexto,

·         A recessão tem um efeito bem visível no volume de depósitos constituidos junto do sistema bancário o que, associado ao grande aumento dos prazos para o crédito concedido, dadas as dificuldades das empresas, obrigou o sistema financeiro a procurar outras fontes de financiamento. Assim, os depósitos dos clientes que representavam quase ¾ dos recursos alheios dos bancos passaram a ser apenas 60.7% do total;

·         Entre essas fontes, a mais dinâmica é a da emissão de títulos que quase triplicou o seu valor em cinco anos, seguida dos empréstimos. Estas fontes de capitais alheios que pesavam cerca de um quarto do total em 2007 passaram para 39.3%, revelando assim um grande aumento dos custos dos bancos na captação de dinheiro porquanto a forma mais barata é, sem dúvida, através da massa dos depositantes;

·    Finalmente, refira-se ainda que, inserida naquela global captação de capitais, se evidencia um forte crescimento do financiamento externo, que aumenta 142.3% nos cinco anos considerados.

Efetuada esta caraterização global, proceder-se-á, em breve, a uma abordagem mais específica sobre a dívida privada e sobre a dívida pública, deixando-se para o final uma abordagem política de ambas e o desenho de alternativa possível; naturalmente, fora do quadro do putrefacto ordenamento político.

Via http://grazia-tanta.blogspot.com.es/2013/05/quando-divida-aumenta-democracia.html

Este e outros documentos em:

http://pt.scribd.com/people/documents/2821310?page=1

http://www.slideshare.net/durgarrai/documents

http://grazia-tanta.blogspot.com/

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A dívida pública portuguesa é ilegal, ilegítima ou odiosa face ao direito internacional

Uma boa parte da dívida pública portuguesa, em nome da qual há quem pretenda empreender a terapia de choque social, deve ser declarada odiosa, ilegítima e ilegal.

O termo «odiosa», por si só, detém uma carga subjectiva nada exagerada, tendo em conta os seus contornos e os sacrifícios que o seu pagamento implica. Sem nos determos com mais exemplos de como uma dívida pública pode ser odiosa, lembremos o caso do Haiti, vitorioso na abolição da escravatura em finais do século XIX, e por isto mesmo obrigado ao pagamento de uma suposta dívida até meados do século XX, dívida esta originada pelo prejuízo que a libertação do seu povo teria causado aos «homens de negócios» franceses.

A dívida pública portuguesa é ilegal, porque sustentada em engrenagens de poder corrupto, baseadas em equilíbrios e jogos económicos que mais não são do que extorsão. Este facto, cuidadosamente mascarado pelo cinismo ideológico das políticas liberais (com a cumplicidade dos principais meios de comunicação), terá de ser desmantelada por uma auditoria popular e independente que ponha a nu a realidade dos factos.

A dívida é ilegítima porque não foi contraída em favor e proveito dos que a pagam. Pagam-na através de impostos regressivos [1], de taxas de IVA incomportáveis, da amputação de serviços indispensáveis e já pagos com esses mesmos impostos, da diminuição dos cuidados de saúde, da supressão de subsídios e redução de salários.

Acresce a tudo isto esse prodígio da administração pública portuguesa chamado PPP (Parcerias Público-Privadas) – um paraíso para administradores corruptos que no espaço de 19 anos já conseguiu evaporar para cima de 1,6 biliões de euros em empréstimos e encargos, ou seja, em transferências de meios financeiros do sector público para as mãos da oligarquia financeira nacional e internacional.

Face a isto, a alternativa a um futuro ruinoso passa pelo repúdio desta dívida, acto para o qual nos encontramos legitimados por uma ampla base legal internacional.

De facto, são muitos os textos de direito internacional que licenciam a nossa posição.

Dispõe o artigo 55º da Carta das Nações Unidas que

«com o fim de criar condições de estabilidade e bem-estar, necessárias às relações pacíficas e amistosas entre as Nações, baseadas no respeito do princípio da igualdade de direitos e da autodeterminação dos povos, as Nações Unidas promoverão: a) A elevação dos níveis de vida, o pleno emprego e condições de progresso e desenvolvimento económico e social; b) A solução dos problemas internacionais económicos, sociais, de saúde e conexos, bem como a cooperação internacional, de carácter cultural e educacional.»

Este artigo é secundado pelo disposto no artigo 56º do mesmo diploma, segundo o qual,

«para a realização dos objectivos enumerados no artigo 55º, todos os membros da Organização se comprometem a agir em cooperação com esta, em conjunto ou separadamente.»

Estabelece ainda o artigo 103º que

«no caso de conflito entre as obrigações dos membros das Nações Unidas em virtude da presente Carta e as obrigações resultantes de qualquer outro acordo internacional, prevalecerão as obrigações assumidas em virtude da presente Carta».

Estamos aqui perante um princípio de hierarquia normativa, condição necessária de efectividade do direito internacional reconhecido como «Jus Cogens», isto é, um conjunto de princípio e direitos transversais a todos os sistemas jurídicos.

Um outro diploma, o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (PIDCP), determina no seu artigo 1º que

«todos os povos têm o direito à autodeterminação. Em virtude deste direito estabelecem livremente a sua condição política e, desse modo, providenciam o seu desenvolvimento económico, social e cultural.»

Da mesma forma, o artigo 1º do Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais dispõe que

«todos os povos têm o direito a dispor deles mesmos. Em virtude deste direito, eles determinam livremente o seu estatuto político e asseguram livremente o seu desenvolvimento económico, social e cultural.»

Estamos assim legitimados para, mediante um acto unilateral, promover um esforço de cidadania fundado no repúdio de uma dívida que, além de injusta, arrastará o país e as gerações futuras para um ciclo indeterminado de pobreza.

Autor: Rui Viana Pereira CADPP

 Via:http://cadpp.org/node/144


[1] Impostos que em vez de progredirem na proporção dos rendimentos de quem os paga, castigam os contribuintes de menor rendimento.

 

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Dívida odiosa

A história da dívida odiosa, tal como a entendemos hoje, começa nos anos 1920 com Alexandre Sac, ministro do czar e especialista em direito. Depois da Revolução de 1917, Sack leccionou cursos nas universidades europeias e norte-americanas. Em 1917 apresenta um novo conceito admirável: a noção de «dívida odiosa».

Para definir uma dívida odiosa são necessárias três condições:

  • A dívida é contraída pelos dirigentes sem acordo nem aprovação dos cidadãos.
  • Os fundos emprestados são investidos em bens que não beneficiam os cidadãos ou o país.
  • O emprestador está informado sobre os dois factos anteriores, mas assobia para o ar.

A proposta de Sack é recebida como progressista, para não dizer revolucionária. Na realidade, nessa época servia às mil maravilhas a uma certa potência em crescimento: os EUA.
Aliás, os EUA já tinham criado um antecedente da teoria da dívida odiosa em 1898, quando, ao saírem vitoriosos da Guerra Hispano-Americana, se apoderaram da ilha de Cuba. O problema era que, ao apoderarem-se de Cuba, ficavam igualmente com o encargo da dívida deixada pelos colonizador espanhol.

A colonização espanhola tinha durado 400 anos, desde que Colombo pisara pela primeira vez terras americanas, e a dívida era bastante pesada. Os EUA decidem que a dívida de Cuba corresponde aos critérios da dívida odiosa e recusam reembolsá-la.

História semelhante ocorreu no México poucos anos antes. Quando o exército democrático destituiu o imperador Maximiliano, os revolucionários decidiram que as dívidas contraídas pelo soberano eram odiosas.
Maximiliano tinha pedido montantes consideráveis para combater as forças da oposição. Como devia muito, tanto aos mutualistas como ao povo mexicano, foi encostado à parede e fuzilado.

A maior parte dos exemplos de dívida odiosa dos séculos XIX e XX diz respeito a países da América do Sul. Na verdade, por detrás de todas essas cessações de pagamento encontramos sempre a mesma potência: os EUA.

Chegados ao século XXI, novamente os EUA reintroduzem um episódio da dívida odiosa.
Em Dezembro de 2002 a Casa Branca afina os preparativos finais para a invasão e ocupação do Iraque. Antes de mandar disparar o primeiro tiro, os comandantes preparam o dia seguinte à queda de Saddam Hussein. O departamento de Estado sabe que terá de gerir a imensa dívida soberana do Iraque. Por isso trata de demonstrar que essa dívida é odiosa. Reúne uma equipa de trabalho secreta que prepara o futuro governo iraquiano, de forma que este, ao tomar posse após a queda do regime, decrete que o povo iraquiano não deve reembolsar a dívida nacional. Finalmente estava tudo pronto para o ataque.

O caso do Equador

Equador 2007 | Sete meses após ter sido eleito, o presidente do Equador, Rafael Correa, decidiu, em julho de 2007, realizar uma auditoria à dívida do país e às condições em que esta foi contraída. Para esse efeito, foi constituída uma comissão de auditoria à dívida, composta por dezoito especialistas, incluindo o CADTM. Após 14 meses de trabalho, foi apresentado um relatório. Mostrava que muitos empréstimos tinham sido concedidos violando regras básicas. Em novembro de 2008, o novo poder, apoiando-se no relatório, decidiu suspender o pagamento da dívida constituída por títulos de dívida, uns com vencimento em 2012 e outros em 2030. No final, o governo desse pequeno país saiu vitorioso do confronto com os banqueiros norte-americanos detentores de títulos de dívida do Equador. Voltou a comprar por menos de mil milhões de dólares títulos que valiam 3,2 mil milhões de dólares. O tesouro público do Equador poupou cerca de 2,2 mil milhões de dólares de stock de dívida, aos quais devem ser acrescentados juros anuais no valor de 200 milhões de dólares relativos ao período entre 2008 e 2030. A medida possibilitou a libertação de novos recursos financeiros, que permitiram que o governo aumentasse os gastos sociais em saúde, educação, ajudas sociais e no desenvolvimento de infra-estruturas de comunicação. O executivo consagrou também na Constituição a proibição de transformar dívidas privadas em dívida pública e a proibição de contrair dívidas ilegítimas (ler mais aqui).

via: http://investigaradivida.info/divida-odiosa

 

 

 

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Assembleia Popular de Algés | sábado dia 18 de maio às 11h

Para a próxima assembleia ficou lançado o desafio de cada um levar o seu “projecto”, já mais elaborado, para ser apresentado na Assembeia, de forma a que outros o integrem e ajudem a pôr em prática.
A III Assembleia Popular de Algés vai realizar-se no Parque Anjos, no próximo sábado entre as 11h e as 13h.

Evento: https://www.facebook.com/events/501983363201213/

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Sindicato Andaluz de Trabalhadores – Apresentação e Debate – 16/05/2013 , 18:30 – Museu Republica e Resistência, 419 Estrada de Benfica, Grandela (Metro Alto dos Moinhos)

16/05/2013 , 18:30 – Museu Republica e Resistência, 419 Estrada de Benfica, Grandela (Metro Alto dos Moinhos)

Francisco León e Francisco Cubero irão falar connosco sobre a luta tenaz do SAT em favor dos trabalhadores e por uma sociedade diferente, melhor.

O SAT, é autónomo, autogestionário, assemblário, sem membros privilegiados. E, com bem mais de 20.000 membros, combate o capitalismo por toda a Andaluza, particularmente nas zonas rurais, onde nasceu. Cria cooperativas, agrícolas, agro-industriais e de habitação. No seu combate, ocupa estradas, supermercados, bancos e latifúndios. Como em Somonte, de onde Francisco Cubero é natural.

Esta será uma oportunidade de trocar impressões com eles. Numa parceria da Tertúlia Liberdade e da Biblioteca/Museu da Repª.e Resistência

Evento: https://www.facebook.com/events/455997691151833/

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